Père-Lachaise: o cemitério das estrelas em Paris

Guilherme Renso

Cadê a claquete? E os atores? É que quando eu entrei no cemitério do Père-Lachaise, em Paris, a impressão que tive foi de estar imergindo naqueles filmes que misturam terror e suspense, sabe? Mas não é para se assustar não. Apesar de o tema nos remeter a assuntos como morte e despedida, o lugar é intrigante e convida o viajante a fazer uma sessão de fotos enquanto visita os astros e estrelas lá sepultados. Durante o passeio, eu presenciei várias câmeras pairando no ar, digo, com seus donos, circulando pelo local.     

Antes de contar mais detalhes sobre o que eu vi, vou logo responder à pergunta marota que você deve estar se fazendo: como ele chegou até lá? De metrô, uai, diriam os nossos amigos de Minas. Simples assim. Quer dizer, se localizar no metrô de Paris não é das tarefas mais fáceis, o que por outro lado é muito bom, pois quanto mais estações, mais prática fica a  nossa vida. Nesse caso, pegue a linha 2 ou 3 e desça na parada de mesmo nome: Père-Lachaise.

Você, que sempre está por aqui conferindo o nosso conteúdo, sabe que a minha ida até lá foi motivada também pela matéria que escrevemos sobre o decodificador do espiritismo, o Allan Kardec, na editoria Partiu Fé. Olha o texto aqui, ó:  goo.gl/WrnT9h. Entre os ilustres vizinhos do Hippolyte Léon, seu nome de batismo, estão Oscar Wilde, Victor Noir e Jim Morrison.

A respeito do túmulo do multitalentoso Oscar Wilde, que certa vez disse algo como "Um beijo pode arruinar uma vida humana", aqui vai um fato, nem tão legal assim e que serve de alerta. De tanto ser beijada e receber desenhos feitos com batom, a pedra que protege o túmulo acabou sendo danificada, após tantas limpezas para a retirada de tais marcas. Por isso, esse vidro que você está vendo na foto foi colocado. E se a gente só tirar foto, sem deixar marcas? Fica a reflexão.   

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Falando em beijo e túmulo, outra personalidade enterrada lá é o jornalista francês Victor Noir, falecido em 1870. Sobre o seu túmulo, descansa uma escultura deitada que retrata o jornalista. Repare que ela possui um volume avantajado entre as pernas, ou, no nosso popular, a barraca está armada. Tal condição é chamada de ereção post mortem, que vem a ser um ato involuntário ocorrido em homens mortos por enforcamento. Há quem diga que tatear a região traz fertilidade e sorte no amor, por isso se vê essa mancha presente nas adjacências da zona do agrião.   

Entre outros túmulos de outros famosos que podem ser visitados, estão o da cantora Édith Piaf, o do roqueiro Jim Morrison e do compositor polonês Frederic Chopin. Mas, apesar de tantos ilustres, o Père-Lachaise não se resume a isso. São nada menos que 70 mil túmulos e dois milhões de visitantes ao ano, o que o torna um dos cemitérios mais conhecidos no mundo.  

Pra fechar, aqui vão algumas dicas importantes que te ajudarão na hora da visita. Principalmente aqueles que forem conhecer os mínimos detalhes do cemitério, é bacana ter uma mochila com água, lanches, boné, óculos de sol e calçados confortáveis. Sapato de salto? Nem sonhando. Crianças ou pessoas que podem ficar impressionadas? Menos ainda. Em compensação, a velha e boa disposição para andar (e se surpreender) é bem-vinda. A última dica é aquela mão na roda: eu adquiri, em uma banca na parte externa do  Père-Lachaise, um mapinha. Ele é bem completo e possui todas as informações que você vai precisar. Com o perdão do trocadilho, morreram € 2,00 nessa mapinha. Barato e bem útil. No mais, bom passeio e aproveite. A entrada no Père-Lachaise é de graça.