De Norte a Sul, conheça o Brasil na ponta no garfo

Guilherme Renso

O Brasil é conhecido internacionalmente por suas belas praias, pelo carnaval e pelo clima hospitaleiro. Não há como negar que esses elementos atraem cada vez mais visitantes de diferentes partes do globo. No entanto, as cinco regiões do país, responsáveis por abrigar os 26 estados mais o Distrito Federal, têm as suas peculiaridades que,  junto com esses cenários clássicos, fortalecem e ajudam a contar a nossa história. Falando sobre características próprias, uma delas é a gastronomia e nós escolhemos, para falar sobre o assunto, um morador de cada região.

Naila Siqueira - Sudeste - Minas Gerais e Espírito Santo

Eu nasci em Minas Gerais, mas atualmente moro no Espírito Santo, o que me credencia a falar sobre os dois estados. Aqui no Espírito Santo, meus pratos preferidos são a Moqueca e a Torta Capixabas. A primeira delas é o prato mais famoso do estado. Sobre a minha querida Minas Gerais, vou precisar me segurar para não colocar muita coisa, mas já adianto que considero a melhor culinária de todo o Brasil. Nada se compara a uma mesa com Tutu, Couve fininha, feijão tropeiro, frango com quiabo, costelinha de porco com quiabo e ora-pro-nóbis, uma plantinha que vale pesquisar, pois pouca gente conhece e no interior de MG faz um grande sucesso.

 

Aline Amaral - Norte - Pará  

Muito me orgulha a culinária paraense ser reconhecida mundialmente! Considerada "exótica" e, claro, deliciosa, fica difícil escolher dentre tantos pratos típicos! Sou suspeita pra falar, mas mesmo morando em São Paulo há 18 anos, não fico sem meu estoque de farinha de Belém! Farofa como a nossa, não há! Além disso, sou alucinada num bom vatapá paraense!  E de sobremesa? Sorvete de tapioca (foto abaixo). Só de lembrar já bate uma saudade.

Gisely Trigueiro - Centro-Oeste - Goiás  

Vou falar sobre um prato de cada refeição. Em comum, eles trazem ótimas lembranças da infância. No café da manhã, "Peta" (biscoito de polvilho) com café. Já no almoço ou jantar, Galinhada com pequi (confira abaixo a foto do pequi). No lanche da tarde, Pamonha e Bolinho de milho frito. Para fechar, doces caseiros da vovó, com frutas colhidas no quintal (goiaba, mamão, banana) de sobremesa.  Sobre os biscoitos de polvilho, que em Goiânia chamamos de pêta, minha avó até hoje faz, e é aquele quitute simples, acompanhado de um café coado, capaz de alegrar o dia da família inteira.

Gisele Salvador - Sul - Rio Grande do Sul

Nem só de churrasco vive a gurizada. Moro no Rio Grande do Sul há quase dois anos e convido todos vocês a uma verdadeira viagem gastronômica que só o RS pode oferecer. Aqui, de um modo geral, se predomina – e muito – a influência europeia na culinária. Por isso, a massa é muito presente. Deixando o salgado de lado, vamos para o doce. Eu não conhecia a cuca (foto abaixo), até vir morar aqui. Sobre ela, as primeiras vezes que comi, não gostei.  Porém, se você der a sorte de poder saborear uma bela cuca, preparada por mãos habilidosas, você vai se apaixonar pelo famoso pão doce de origem alemã.

Marina Carvalho - Nordeste - Piauí

A nossa culinária, no Piauí, é uma junção dos sabores agregados pelos sertanejos, colonizadores e principalmente pelos camponeses que precisavam constantemente sair de suas casas, do seu plantio e ceder à colônia que estava surgindo. Eu pude provar de muitos desses sabores ou a junção deles que, diga-se de passagem, formam casamentos perfeitos. Mas penso que o que marca esta minha terra e minhas memórias de infância é a Maria-Isabel ou Arroz de Maria-Isabel (foto abaixo). O prato é composto de dois ingredientes básicos: arroz e carne seca (ou, como chamamos por aqui, carne-de-sol). E pra este prato ficar mais piauiense do que nunca, esta carne-de-sol deve vir da querida cidade de Campo Maior, palco da emblemática Batalha do Jenipapo.