O que ninguém te conta sobre o carnaval de Salvador

Guilherme Renso

Carnaval em Salvador é praticamente um nome composto, ainda que nos últimos anos algumas cidades como São Paulo e Rio de Janeiro estejam ganhando musculatura em blocos de rua na festa mais popular do planeta. Para se ter uma ideia e, só no ano passado, segundo a prefeitura daquela cidade, a capital da Bahia recebeu aproximadamente 800 mil turistas que lá chegaram de todas as partes do Brasil e do mundo, na grande folia de línguas que se misturam, com o perdão do apoteótico duplo sentido.

De olho no abadá, gente!

De minha parte, quero contar o que vi do carnaval da Bahia quando eu tive a oportunidade de passar por lá, bem como dar algumas dicas que poucas pessoas contam.  Pra você que já comprou passagem, reservou hotel, está fechando as malas e não vê a hora de estilizar o famigerado abadá, muita atenção. A roupa que dá direito à entrada nos blocos é tão visada quando figurinhas de álbum da copa. Por isso, a sugestão é pegar a túnica carnavalesca e guardar em alguma mochila ou bolsa, deixando para curti-la em um ambiente mais reservado. Afinal e, infelizmente, nem todos estão ali para curtir e confraternizar. Essa regra vale para qualquer lugar.  

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Outro ponto importante é tentar chegar cedo aos blocos. A gente sabe que o investimento para uma viagem dessas não é pequeno. Envolve passagem, hospedagem, gastos com alimentação e mais alguns tópicos. Por isso, o quanto antes chegar ao camarote ou ponto de concentração dos blocos, mais tempo poderá curtir e tornar daquele momento algo inesquecível e menos congestionamento pegará no caminho.

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Beber na medida certa

Falando em inesquecível, é plenamente compreensível e natural que, depois de meses de espera, o que a gente quer mesmo é viver intensamente aquele momento e tomar tudo e mais um pouco, logo no sábado de Carnaval, certo? No entanto, a folia vai durar pelo menos até terça ou quarta-feira então, se a gente fizer uma balanceada etílica, dá pra curtir tudo, até o fim, inclusive o inoxidável Bell, cantando dos dois lados do trio, com sua mítica bandana. É isso mesmo, foliões. Bell e outros nomes montam microfone dos dois lados do caminhão musical, que não é o do gás, e todo mundo fica feliz. Oba! Oba!

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Onde a coisa acontece

Para aqueles que compraram o camarote mas pensam em se jogar no bloco, a sugestão é: faça isso, afinal, quem assiste de camarote é só a musa inspiradora do Safadão e eu, no caso. Preciso confessar, gente.  Não tive a coragem e o pique dos meus amigos. A emoção de ver Veveta (Ivete Sangalo pra vocês) apontando lá no fundo, ao som de “Hem hem hem hem oooooo, vai buscar Dalila” e sentir aquela estrutura literalmente tremendo e balançando é inesquecível. But, alguns anos depois, vejo que a coisa pode ser sentida integralmente lá embaixo mesmo. Nesse caso, vá preparado pra muvuca e mergulhar no auê, sem mimimi e sem ficar bravo com pisões no pé.  

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Voltando um pouco para a parte chata, algumas dicas são sempre válidas não só para Salvador, frisa-se, mas qualquer outro bloco de carnaval espalhado por esse Brasilsão e que tenha muita gente. Sabe aquele celular tijolão, que está servindo de peso de porta do banheiro do cachorro, mas que se você colocar para carregar e comprar um chip ainda funciona? Ele mesmo. É esse que vai levar. O mesmo pensamento se estende para outros bens de valor, como correntinhas e acessórios. Todos ficam em casa, no conforto da Unidos da Mesa do Quarto.

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No mais, é só aproveitar, pular muito e, se pintar um clima na terra do axé e do acarajé, previna-se sempre. Encape o bico do bule e/ou o capô do Fusca.  

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