Dicas para que a viagem com a turma não vire um pesadelo

Guilherme Renso

Quem convive com um idoso sabe que, quando alguém fala em viajar, eles são os primeiros a falar “bora lá, juventude”. E como é bom ver nossa terceira idade querendo ir e indo cada vez mais longe, na idade e nos destinos. But, porém, chega uma hora que a galera sênior começa a ter pequenos esquecimentos. Ou o reflexo não é mais ou mesmo. No entanto, a vontade de viajar, essa sim, continua sempre lá. E que bom.

Sabendo de tudo isso, a gente foi conversar com o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o Doutor José Elias Soares Pinheiro, que nos deu algumas dicas sobre como devemos proceder quando essas situações começam a aparecer. Vem cá, como diria a vovozinha que, na sequência, engata um “coma essas bolachinhas que você está precisando engordar”, e confira.

Segundo o Doutor Elias, quando a dificuldade em reter as chamadas informações novas aumenta, as viagens solo ou em excursão devem começar a ter a companhia de alguém mais próximo, seja um amigo ou parente. Além de curtir o passeio junto com o jovem, essa pessoa pode ficar na retaguarda e zelar por questões como o local onde o dinheiro em espécie é guardado, senhas de cofre, ajudar a carregar as malas e até mesmo ratificar, quando há mudança de cidade e hotel durante o passeio, se as mesmas foram efetivamente colocadas no ônibus. Aquela famosa olhadinha para trás.        

Outra situação especial são os indivíduos que têm doenças cardiovasculares,  coronarianas ou mesmo aquele paciente que já foi revascularizado no passado, fazendo uso de medicamentos. “É indicado que eles passem por uma avaliação médica antes da viagem, pois, durante ela, um esforço excessivo pode fazer com que aquela enfermidade seja agravada”, explica o especialista.

Além das preocupações já mencionadas, há outro ponto que todo mundo, até quem não chegou nessa faixa etária ainda, torce o nariz só em pensar: as longas horas que separam o viajante daquele destino desejado. Independente se a viagem é de carro ou avião, o importante é que o passageiro se levante ou faça uma parada e, em ambos, caminhe um pouco a cada duas horas. Essa atitude ajuda a evitar a trombose. “No caso da terceira idade, é indicado colocar uma meia elástica, que vá até a raiz da coxa. Mas isso não substitui a caminhada. Elas trabalham em conjunto”, aponta Elias.

Aliás. Falamos em esquecimento no início e quase nos esquecemos de outra dica do doutor. Aqueles que fazem uso de medicamentos, irão viajar, mas não têm uma companhia para embarcar junto, o geriatra sugere que esse turista ande com um papel e que nele conste o nome do remédio e, principalmente, se estiver em outros países, a identificação do princípio ativo. O mesmo vale para intolerância a algum dele.  Em caso de emergência, os procedimentos de primeiros socorros podem ser feitos de maneira mais rápida e eficaz.