Melhor que tomar café é viajar na história de seu vale

Guilherme Renso

Há aqueles que bebem duas vezes ao dia e isso basta. Há ainda a turma que toma toda hora e, quando não ingere, afirma que o corpo sente falta. Por fim, o grupo que se contenta em só sentir o cheiro. Eu, por exemplo, não tomo, mas admito que quando alguém lá em casa liga a cafeteira, curto bastante seu aroma, principalmente quando invade todos os cômodos do imóvel. É como se esse bálsamo me transportasse até os idos de 1860, mais precisamente na região do Vale do Paraíba, onde 15 cidades ficaram conhecidas por integrarem como o Vale do Café.

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Pra quem não está lembrado muito dessa aula de história e, naquele período mencionado, o Brasil era responsável pela produção de aproximadamente 75% de todo o café produzido no mundo. Em razão disso, nós detínhamos o título de líder mundial não apenas na produção dessa iguaria, mas também na exportação dela. Ou melhor, detemos, uma vez que continuamos sendo o país onde mais se produz e exporta café em todo o mundo, para mais de 120 países. Só no ano passado e, segundo o Conselho de Exportadores de Café do Brasil, 30 milhões de sacas saíram do nosso país.
Deixando essa conversa Globo Rural de lado, vamos voltar aos 15 municípios que ajudaram a construir essa história. São eles: Vassouras, Valença, Rio das Flores, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Paty do Alferes, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes, Barra do Piraí, Pinheiral, Barra Mansa, Paraíba do Sul, Volta Redonda e Resende, também conhecida como princesinha do Vale.

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Daquelas 15 cidades mencionadas, você pode conhecer, em algumas delas, fazendas preservadas a várias gerações e que nos remetem ao período imperial do Brasil. Elas guardam desde relíquias, como móveis e utensílios usados à época, até máquinas. Ao todo são aproximadamente 30 propriedades.

No entanto, preciso deixar um adendo: quando escolher qual delas quer visitar, entre em contato antes, pois algumas visitas monitoradas pedem prévio agendamento. Quer mais uma curiosidade? Eu descobri que em parte dessas atrações não funcionam apenas como local de visitação, pois os proprietários também residem.

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Uma das cidades que abriga essas fazendas é Valença. O município, com a expansão do cultivo cafeeiro, agregou importantes riquezas e isso se reflete até hoje, nos sobrados dos barões, que ainda podem ser vistos. Assim como esses imóveis, um dos casarões históricos é a Fazenda Vista Alegre. Por lá, nos áureos tempos, passaram importantes nomes de nossa história, como o Conde D´Eu. Foi na Vista Alegre também que a TV Globo gravou cenas de, entre outras produções, da novela A Viagem. Ou seja: numa dessas você ainda tira uma selfie com o espírito do Alexandre Toledo, personagem do Guilherme Fontes.

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Já em Vassouras as proporções são mais robustas, uma vez que estamos falando do maior centro histórico daquela região, que, inclusive, foi devidamente protegido pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Por lá, vale conferir de perto a Fazenda do Secretário, com suas várias atrações, entre elas, um salão de baile, salas de jantar e até uma capela.

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Por fim, nossa última sugestão de cidade e visita histórica são, respectivamente, Barra do Piraí e a Fazenda da Bocaina. A área possui 180 anos de história e um de seus pontos fortes é o alto grau de semelhança com ambientes daquela época, não apenas da sede, mas também nos outros pontos que a cercam. Voltando nossos olhos sobre Barra do Piraí, ela se desenvolveu em terras no entroncamento de ferrovias. Tais trilhos tinham como destino estados como Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Por conta disso, não demorou muito para que ela se tornasse um centro de partida e redirecionamento do café, que vinham de outros estados.

Quer saber mais? Então não deixe de conferir o Portal do Vale do Café. Aqui vai o link. http://www.portalvaledocafe.com.br/


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