Nos fios de areia intermináveis de Lençóis Maranhenses

Guilherme Renso

Sabe quando uma coisa puxa outra, que puxa outra e acaba em uma quarta ou quinta, bem maior que as primeiras? Pois é. Nossa conversa seria sobre um lugar no Brasil perfeito para quem busca relaxar, chamado Santo Amaro, no Maranhão. No entanto, nós também nos deparamos com Primeira Cruz, Humberto de Campos, Barreirinhas e, por fim, os chamados Lençóis Maranhenses, o maior campo de dunas do país, que se esparrama por aqueles quatro territórios.

Para não deixar o pé descoberto (lençóis, pé – ah ah) e, principalmente, facilitar a sua vida quando for relaxar nesse oásis, eu vou compartilhar várias coisas que descobri sobre a região. A primeira é que estamos falando de um Parque, o Parque Nacional de Lençóis Maranhenses. A área possui 155 mil hectares e, em proporções, eis aqui uma atração do tamanho da cidade de São Paulo. É muita areia.

"A dica que eu daria é, além de aproveitar muito cada minuto alí, conte também com um guia. Mas não precisa fechar nada antes. Tudo pode ser acertado na pousada mesmo, quando chegar lá. Em Atins, por exemplo, eu fiquei em uma pousada bem simples. O bacana é que a cidade inteira é de areia. Também em Atins
, a  própria agência (só tem uma na cidade), pega os turistas nas pousadas e os leva até as dunas", conta a paulista Ingrid Martins, autora dessas fotos maravilhosas que vocês estão vendo.    

Falando em Barreirinhas, distante 260 quilômetros da capital, São Luís, e Santo Amaro, são elas que dão acesso propriamente ao Parque. A diferença entre as duas é que em Barreirinhas estão os pequenos e os grandes lençóis, separados pelo Rio Preguiças. Já na segunda você pode acessar as lagoas mais profundas e permanentes, que permanecem após o período chuvoso, como a Lagoa da Gaivota. Voltando a Barreirinhas, as lagoas Bonita e Azul não são permanentes, mas, quem já viu, afirma que vale sim passar por lá e conferir de perto.

Ainda sobre essas duas porções de água e, apesar de não durarem o ano inteiro, quando lá estão são famosas e as mais visitadas. Essa é a parte triste da história. Algumas delas, infelizmente, secam ou ficam bem baixas quando as chuvas vão embora. Afinal, é graças a essa água que cai do céu que elas são formadas. Por isso, para poder aproveitar desse conjunto em sua plenitude, o ideal é embarcar entre o início de maio e o final de agosto.

Outra coisa que eu descobri é que o trecho da música Como uma Onda, do Lulu Santos e do Nelson Mota, que fala algo como “Nada do que foi será, de novo, de um jeito que já foi um dia” é uma máxima em Lençóis. Os ventos constantes levam e trazer as areias, fazendo com que a paisagem seja uma metamorfose ambulante, Raul, e com isso, a sua experiência por lá torna-se única, literalmente.  

Falando sobre o Rio Preguiças, e, a boa notícia (mais uma), é que é possível fazer um passeio de barco por ele. Tudo começa em Barreirinhas. De lá, a embarcação passa por Vassouras, Mandacarú, Caburé e, por fim, a Vila de Atins (saúde!!).  Em Vassouras chamam atenção os pequenos lençóis. Já na Vila de Mandacarú, não deixe de subir no farol homônimo ao rio.

No terceiro que mencionamos, Caburé, a ideia é acessar ao chamado Pontal.  Lá, no Pontal, o nosso glorioso Rio Preguiças dá sua última espreguiçada, antes de desaguar no Oceano Atlântico, mais especificamente ao lado esquerdo, em Atins (Deus te crie!), a última parada do passeio.

Como chegar?

Vale lembrar que só entra nessa aventura veículos com tração 4x4 e preparados para o tipo de terreno. Para chegar até barreirinhas, acesse a Rodovia MA-402. Mas quer ir até Santo Amaro? Não por isso. Nesse caso a dica é pegar a mesma rodovia e seguir até o povoado do Sangue. De lá, percorra 36 quilômetros em trilhas de areia. Os veículos devem ter snorkell.  Aproveite!