Viajando em Zonas de Conflito

Flavia Krenkel

Oi pessoal, tudo bem? Meu nome é Flavia e eu sou a nova colaboradora do Mochilaí. Eu tenho 30 anos e atualmente moro em Hamburgo, na Alemanha, mas hoje queria contar um fato que aconteceu comigo em 2014, quando eu morava em Budapeste e resolvi fazer uma viagem para Israel e Egito. Dessa vez não vou focar nos pontos turísticos, pois vou contar a maior aventura e perrengue que já passei na vida.

A ideia inicial era conhecer Jerusalém, já que as passagens estavam muito baratas. Eu sei que muita gente tem medo de conhecer Jerusalém porque é uma região marcada por muitos conflitos. No entanto muitos conhecidos estavam indo e disseram que estava tudo tranquilo, então não vi motivo para não ir.

Jerusalém sinestésica

          Eu e mais cinco amigos fizemos as malas e fomos. Mal sabíamos tudo o que nos esperava.  Calma! ConhecerJerusalém realmente foi tranquilo. A cidade é linda, cheia de histórias, cores, cheiros e paisagens inacreditáveis. Meu sonho era conhecer o Muro das Lamentações e o Mar Morto, felizmente consegui conhecer os dois, mas isso é assunto para uma próxima matéria.

Em Jerusalém estava tudo ocorrendo muito bem, realmente não estava passando medo, me sentia segura. No hostel de Jerusalém compramos um passeio turístico no Egito. O pacote incluía a travessia da fronteira Israel-Egito, transporte da fronteira até Cairo, transporte entre uma atração e outra, guia turístico em inglês e duas noites no hotel.

Pegamos um ônibus de Tel Aviv até Eilat, uma cidade linda, banhada pelo Mar Vermelho, na fronteira com o país das pirâmides. Lá finalmente pagamos o visto e atravessamos a fronteira. Foi aí que a viagem virou um misto de aventura com medo. Após atravessarmos a fronteira uma van estava nos esperando.

Atentado e o medo

         Ficamos por volta de duas horas dentro dessa van e depois pegamos a rodovia rumo a Cairo. Duas semanas depois, houve um atentado terrorista exatamente no mesmo lugar, com um ônibus de turistas. Já deu para sentir o clima, né? Já era noite quando seguimos rumo a Cairo, chegamos apenas no outro dia na cidade. A viagem foi demorada por dois motivos.



        O primeiro é que como iniciamos a viagem à noite, nós precisamos pegar a rota mais longa, que não é utilizada por terroristas. O segundo é que a van era parada a cada meia hora e revistada pela polícia ou pelo exército egípcio, justamente pela procura de terroristas, mesmo estando na rota menos utilizada por eles.

Chegando em Cairo nós conhecemos o guia, o nome dele era Nasser e foi um dos melhores guias que já conheci. Como estávamos num grupo pequeno ele disse que nos levaria para conhecer, além dos pontos turísticos mais famosos, onde os locais iam para se divertir. Mas essa história eu conto no nosso próximo encontro.